Saturday, January 26, 2008

IL POSTINO

O CARTEIRO DE PABLO NERUDA

Desde pequeno que escolho um local donde possa ter uma visão abrangente e daí, olho pacientemente todos os movimentos dos humanos que me rodeiam. Todos querem ter as mesmas coisas. Todos finjem não olhar. Todos classificam e etiquetam o mundo. Competem uns contra os outros. Não escutam. Atiram as suas dores às costas dos outros. E os piores são aqueles que pensam não estar a fazê-lo.
Entrar no jogo sem pensar? Porque dão corda ao animal que vive dentro deles? Porque preferem ficar condicionados por acções e reacções dos outros? Porque querem controlar?
Porque se fecham numa só dimensão?

Revejo, atento a paisagem, ouço o bater do meu coração e movo-me em direcção ao meu objectivo.

Interessante, parece que corro sempre sozinho e para coisas que ninguém dá importância. Mas gosto dessa sensação de correr, vou desenvolvendo músculo, agilidade e concentração. A sensação de liberdade é apaixonante, não possuo coisas nem pessoas, só saber e empatia.

“quem procura com sinceridade não pode aceitar nenhuma doutrina, se quer sinceramente encontrar algo.” Siddartha – Herman Hesse

Adoro o Sol, espreguiço-me, estico-me, bocejo. Volto a fazer uma soneca. Sigo o meu ritmo. Gosto de conhecer humanos diferentes. Vejo, antevejo os seus gestos, sinto se gostam ou não de mim. Gosto quando são sinceros e amigáveis. Às vezes sentem-se ameaçados e por isso fingem que não me veêm ou tentam assustar-me ou pregar-me partidas. Outros param para fazer-me festas. Posso transparecer não precisar destas pessoas, mas sinto-me em casa a cada aconchego de alma, embora tenha de continuar a minha senda. Um conforto livre, uma liberdade confortante... Mas absolutamente presente e consciente.

Adoro perder a consciência do tempo e ficar a ronronar. Há muito tempo, muito mais do que imaginamos, embora às vezes possa parecer que passa rápido. Isso é sinal que... ? De olhos semi-cerrados arrumo os pensamentos da minha vida e entendo-os à luz de uma força mais intensa que a minha alma. Integro todas as dimensões o corpo, a mente, o espirito,as emoções, os outros, a natureza. Integro os saberes e as experiências.

Parecendo estar sempre no mesmo sitio, alcanço simultaneamente partes mais profundas de mim e de quem me rodeia.

Não há limites de espaço, posso saltar de telhado em telhado, dizem que sou independente, mas o que não sabem é que à noite ao luar do telhado da minha casa vou dirigindo a minha vida, como se fosse um filme, e posso sempre decidir como quero o cenário e os personagens que fazem parte da minha realidade. Dirigindo a película, elaboro os diálogos certos, as emoções em sintonia, as condições adequadas.

Perspectivo e sei que tenho nas minhas mãos a capacidade de realizar um filme já visto ou de torná-lo um filme único.

A verdade magoa, por isso mentimos. Deixei de ser masoquista há tempo suficiente.
Confrontado de novo com o mesmo medo de sempre, sou agora um realizador experiente. Conheço os meus erros,as minhas disputas, as minhas faltas. Sei das minhas vitórias, das minhas façanhas, das minhas orientações.

Conheço o meu ritmo e as minhas limitações e decido libertar esse animal que vive dentro de mim.Pensando que fosse uma fera, descubro que é um manso gato, cuja única ambição é convidar mais pessoas a subir para cima do mesmo telhado.

Ganho coragem e pulo para o telhado da casa do vizinho. A liberdade emociona-me e acalma-me, transportando-me para novas inspirações de vida, onde enquadro tudo o que fui, e como vivi, e tudo o que gostaria de aprender e fazer pelos outros daqui em diante.

Os 2 últimos anos da minha vida trouxeram muito conhecimento a vários níveis.
2007 foi dedicado a enquadrar todo esse conhecimento diverso, que tocou profundamente o meu espirito e a minha natureza.

À medida que me torno mais igual a mim mesmo, vou atraindo para mim, outros que sentem como eu. Que também um dia ousaram iniciar uma caminhada através das dimensões. O mais surpreendente é que, existem sempre muitas mais pessoas que pensam e sentem exactamente como nós, do que alguma vez imaginámos. Mas só temos o privilégio de encontrá-las, quando realmente somos capazes de abrir verdadeiramente o nosso coração.

Agora que me amo a mim, será inevitável amar-te a ti!

Para sempre movida pela paixão e pela responsabilidade!

Miau!


IL POSTINO / PABLO NERUDA’S POSTMAN

Since very early age, I prefer to choose a good spot where I can have an overview of the landscape and from there, I patiently watch all human movements. They all want the same. They all pretend they’re not looking. They all classify and put labels over everyone. They compete against each other! They don’t listen. They throw pain at each other’s back. And the worst are the ones who think are not doing it.
Why entering the game without thinking? Why do people feed the animal inside themselves? Why do people prefer to stay conditioned by action and reactions of the others? Why this need of controlling?
Why are these people closed in one dimension?

I relook, I focus again on the landscape, I hear my heartbeat and I move towards my objective.

It’s interesting it seems I’m always running alone and towards goals that nobody finds to be important. But I like this feeling of running; I’ve been developing muscle, agility and concentration. The feeling of freedom is impassioning, I don’t have things or people, only knowledge and empathy.

“who ever searches with sincerity cannot accept a doctrine, if really sincerely wants to find something” Siddartha – Herman Hesse

I love the sun, I stretch myself, I yawn. I return to sleep. I follow my rhythm. I love to know different human beings. I see, I foresee their gestures, I feel if they like me or not. I like when they are sincere and friendly. Sometimes they feel menaced and pretend that don’t see me or try to frighten or trick me. Some stop to cuddle me. I may seem not needing people, but nevertheless I feel home in each caress of my soul, I’ve to continue my path. A free comfort, freedom of comfort. But I’m absolutely present and conscious.

I love to loose conscience of time and rest miauing. There’s much more time that we imagine it exists, although sometimes it may seem it goes very fast…. What does it mean... ? With half closed eyes I set in order the thoughts of a life time and understand them being enlightened by a stronger force than my soul. I integrate all dimensions body, mind, soul, emotions, the others, nature. I integrate knowledge and experiences.

By seeming to stand always on the same place, I reach simultaneous deeper parts of me and of the others.

There’s no space limits, I can jump from roof to roof! They think I’m very independent. They don’t know that every night on the roof of my house I produce my life, as if it was a movie, and I can always decide about sceneries, characters that I want to have in my reality. Producing the movie, I do the right dialogues, the emphatic emotions and the adequate conditions.

I put things in perspective and I know I have the ability of producing a commercial or an independent movie.

Truth hurts, that’s why we lie. But I have given up on masochism.

Frighten by the same old fear, I’m now an experienced producer. I know my mistakes, my disputes, my faults. I know about my victories, my strengths, my philosophical orientations.

I know my rythm and my limitations and I decide to unleash the animal that lives insides me. Thinking I was a wild beast I found out I’m a quiet cat! A cat that just wants to invite people to see the view from the same roof!

I put together my courage and jump to the neighbours’ roof. Being free moves me and at the same time calms me down, transporting me to new inspirations for life, where I frame everything I was, how I lived and everything I I’d like to learn and do from now on.

The last 2 years of my live have brought me new knowledge.
2007 was dedicated to frame all diverse knowledge that deeply touched my spirit and my nature.

To the extent that I became equal to myself, I attract to me, others that feel and live like me. That one-day dared to initiate a journey through other dimensions. The most surprising is that we can always find more people that think and feel like us, then we ever imagined. But we only have the privilege of finding them when we are able to truly open our hearts.

Now that I love myself, I’ll inevitable love you!

Forever moved by passion and responsibility!

Miau!

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